A partida
  

 
   

Vida nova, coincidências, novos e velhos amigos, tudo junto nos meses que antecederam a cicloviagem que começa agora.

Em junho de 2000, começava uma nova viagem em minha vida, uma viagem insólita, pois boa parte do que eu havia vivido nos últimos vinte e dois anos era diferente da luz que iluminava meu caminho agora. Em 2001, já me acostumando com o novo, redescubro a bicicleta, que na infância me trouxera tantas alegrias e preocupações para minha mãe. Como não lembrar daquela “Caloi 150 Dobramatic”, vermelha, comprada na Loja da Magali, em Miracema. Tinha até uma sirene. Nela, eu , Lília e Juninho, meus irmãos, demos nossas primeiras pedaladas. Em 2001, junto com meus amigos Jorge e Carlinhos Moreira e meu filho Yuri, começamos a pedalar pela área rural de Miracema. Subimos e descemos morros, pulamos porteiras, tomamos banho de açudes e cachoeiras, até que em 2003 e 2004, conseguimos levar essa alegria para cerca de 200 pessoas que fizeram junto conosco as 1ª e 2ª Voltas Ciclística e Ecológica de Miracema. A essa altura, já tinha sido picado pelo bichinho do pedal e minhas horas de navegação na rede de computadores, eram gastas em sua maioria com sites que falava de ciclismo, e...conheci o Cicloturismo.Em abril de 2006 descubro o Pedal na Estrada do Artur Cardoso, um brasileiro que está pedalando pelo mundo desde então e me mostrava que se ele conseguira ir tão longe, porque eu não conseguiria fazer uma viagem aqui por perto.Em junho de 2006 convenço meus familiares e amigos que não estou doido e faço, junto com o Jorge, minha primeira cicloviagem.Pedalamos 300 km pelo Noroeste do Estado do Rio de Janeiro e Zona da Mata Mineira. Que sensação de liberdade sentimos com o vento no rosto!!Em 2007, nossa meta era o Pico da Bandeira, o 3º ponto mais alto do Brasil. Queria pedalar mais e em minhas pesquisas, resolvo montar uma rota para contornar o Parque Nacional do Caparaó, onde está localizado o pico. Foram cinco dias para contorná-lo pedalando pelo Espírito Santo até a sua entrada pelo lado mineiro. Mais três dias foram gastos para chegar ao topo do pico, acabar de contornar o parque e voltar para casa, deixando um rastro de novos amigos pelo caminho.Para 2008, estudava uma cicloviagem pelas margens do Rio Paraíba do Sul, inspirado pela exemplar viagem do Hiroto e sua esposa Helena pelas margens do Rio Tietê. Lembro do emocionado relato do casal que depois de beber água na nascente do Tietê, o vêem morrer em São Paulo e nascer novamente mais abaixo e ainda beber de suas águas novamente próximo da foz, no Rio Paraná. Não tinha jeito:eu faria o percurso do Rio Paraíba do Sul.Estou aqui , “estimada pessoa”, partindo para viagem de 2008. Depois de inúmeras pesquisas no Guia 4 Rodas e no Google Earth, monto um roteiro , agora com mais responsabilidade e organização como ensina o Amyr Klink no DVD “Mar sem fim” e no livro “Cem dias entre céu e mar”.Há pouco mais de um mês do início da viagem, meu irmão Bebeto me apresentava o tal livro que relata a viagem do Amyr Klink,que em 1984 atravessou sozinho o Atlântico Sul num barquinho a remo, saindo da África do Sul e chegando em Salvador, no Brasil. Uma série de coincidências fez com que ele não só achasse as soluções de seus problemas como também fizesse novos amigos e parceiros para aquela e outras empreitadas que aconteceriam mais tarde. Comigo também aconteceram algumas coincidências que vieram somar, para nossa alegria.Entre elas a de uma muda de árvore do programa Click Árvore que veio parar no Parque Ecológico Santa Rita em Miracema e trouxe junto novas e saudáveis amizades. Uma dessas coincidências me emocionou bastante:ao chegar ao Centro Cultural Mechiades Cardoso, em Miracema, encontro o Vitor,escaneando umas fotos. Olho com curiosidade uma delas em que aparece uma mulher de óculos escuros, de calça comprida e de bem com a vida.Caramba!!Que foto é essa?Olho no verso amarelado pelo tempo(deve ter sido tirada na década de 50 ou 60 ) e não acredito: Gicelda em Atafona.Gicelda Coelho de Oliveira, uma poeta miracemense, como gostava de ser referida publicou dois livros, “Desejos” e “Mascarada”. Essa coincidência foi mais uma alavanca para levar em frente essa viagem. Nos próximos dias estaremos vivendo junto a este importante rio, que ao invés de despejar suas águas no litoral paulista, teimou em seguir outro curso para banhar a região mais rica e densamente povoada do país e despejar suas águas no litoral fluminense. Agradecemos a sua visita e ao nosso Poder Superior por esta oportunidade de conhecer um pouco mais do Brasil. Agradecemos também a cada um participou nos incentivando, treinando conosco e divulgando nossa viagem. Agora você poderá nos acompanhar pelo diário de viagem e também pela galeria de fotos da viagem.Para finalizar esse início de viagem reproduzo aqui um texto do Amyr Klink.Venham conosco e boa viagem!!!

“... Pior do que passar frio, subindo e descendo ondas ao sul do Oceano Índico, seria não ter chegado até aqui, ou nunca ter deixado as águas quentes e confortáveis de Parati. Mesmo que fosse apenas para descobrir o quanto elas eram quentes e confortáveis.Eu senti um estranho bem-estar ao contornar gelos tão longe de casa.Hoje entendo bem o meu pai: Um homem precisa viajar, por sua conta não por meio de histórias, imagens,livros ou tv.Precisa viajar por si com seus olhos e pés para entender o que é seu.Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor.Conhecer o frio para desfrutar do calor.E o oposto.Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sobre o próprio teto.Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos e não simplesmente com é.Que nos faz professores e doutores do que não vimos quando deveríamos ser alunos e simplesmente ir ver...”.

Amyr Klink


Juninho nos anos 70






Com Yuri,Carlinhos e Jorge.





Paulão e galera:2ª Volta.





Artur no Egito.





Jorge no Pico da Bandeira.



Helena e Hiroto:Inspiração.







Amyr Klink.Organização.






Monique, Amanda e Sandra.Valeu Clik Árvore.





Gicelda em Atafona.






Mamãe e papai.


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