Depois de pedalar 1.150 quilômetros pelas margens do rio Paraíba do Sul, da nascente até a foz deste importante rio, encerramos nossa cicloviagem 2008, Pedalando Pelo Rìo Paraíba do Sul. Agradecemos a todos que participaram, nos receberam e nos incentivaram ao longo do percurso. Deixamos abaixo uma pequena mensagem e informamos que estamos preparando novos projetos que venham melhorar o nosso relacionamento com o meio ambiente em que vivemos e esperamos contar com vocês mais uma vez. Aguardem!!!
 Jorge e André na foz em Atafona.
UM NOVO DIA...
O quê seria da vida sem uma doce canção? O que seria da vida sem uma pequena canção? O que seria da vida sem um velho rock?... O que seria de nossa cicloviagem sem as pessoas que encontramos pelo caminho? O que seria da nossa cicloviagem sem as pessoas que ficaram e nos acompanharam pelo site? O que seria da nossa cicloviagem sem as belezas naturais e a boa vontade das pessoas que nos receberam pelo caminho? O que seria da nossa cicloviagem sem as dificuldades encontradas pelo caminho, e que nos fizeram dar valor às coisas fáceis e habituais do nosso dia-a-dia? A importância de viver está em torno do você luta para conseguir, e se conseguir, vá mais fundo, não deixe que a luta seja em vão, pois só assim terá significado o nascer de um novo dia ... A você que esteve conosco durante a viagem o nosso agradecimento pela participação sem a qual dificilmente teríamos alcançado com sucesso. Valeu!!!
Confira alguns momentos na imprensa:
Jornal O Monitor Campista-Edição de 14 de julho de 2008- SEGUINDO O VELHO PARAÍBA.
Matéria na TV Record/Campos dos Goitacazes
Dia 15 de Junho de 2008.
Acordei às 6 da manhã e comecei a acertar os últimos detalhes para a nossa partida. Estava combinado que sairíamos às 5 da tarde.O Jorge chegou lá em casa por volta de oito horas e junto com a mamãe ajudava a recolher o restante do material, pois no dia anterior nós colocamos boa parte da bagagem nos alforjes e mochilas. Fomos ao Posto Bendengó para acertar o horário da saída e não encontramos o motorista. Demos uma volta para testar as bicicletas e ver como ficariam com o peso e às onze horas passamos no Posto Bendengó novamente e nada do motorista.Por volta de meio dia e meia, ligo para lá e recebo a informação que ele sairia às 13:00hs.Depois de conversar com ele, fica decidido que sairíamos às 14:00 hs. Almoçamos rapidinho e acabamos de carregar as bicicletas.Chegamos no Bendengó faltando vinte para às duas da tarde e depois de colocarmos as bicicletas nos caminhões, esperamos até às três horas, quando pegamos a estrada. Nosso motorista era o Boa, isso mesmo , é nome próprio.Boa foi muito bem ao volante durante toda a viagem e um novo amigo que ganhamos longo no primeiro dia.Por volta de oito horas da noite, paramos para jantar e meia hora depois, pegamos novamente a estrada pois o Boa entregaria sua carga depois da cidade de São Paulo cerca de 180 quilômetros em direção ao Paraná.Às 10 horas da noite entrávamos na Rodovia Presidente Dutra e às 10 e cinqüenta chegávamos ao nosso destino.Queluz-SP, terra onde nasceu Malba Tahan.Chegando lá eu estava um pouco apreensivo pois estava caindo uma leve chuva e me perguntava onde armar a barraca ao abrigo da chuva?Foi quando o Boa nos disse:"Calma, vamos até o Restaurante do Gaúcho que daremos um jeito”.O Boa então conversou com o Gaúcho que prontamento nos arrnjou um lugar fora da chuva e ainda um chuveiro com água quente. Tomamos um gostoso banho e depois de saborear um sanduíche feito com carne assada, preparado pela mamãe, fomos dormir na nossa barraca que montamos antes do banho.Amanhã cedo partiremos para Areias, que fica a cerca de 15 km de Queluz e de lá vamos para a Serra da Bocaina, onde nasce o Rio Paraitinga, principal formador do Rio Paraíba do Sul .Deixo aqui um agradecimento todo especial para todos que nos ligaram na hora da partida e em especial ao Juninho, a Aparecida e ao Carlinhos que estiveram lá conosco.Um grande abraço e até breve.
SEGUNDO DIA- 16 DE JUNHO DE 2008
Acordamos por volta das 05:30.Desmontamos nossa barraca e prendemos nossas bolsas e alforjes nas bicicletas. Após agradecer ao Gaúcho pela acolhida em Queluz, pedimos algumas informações e começamos a pedalar.Passamos por baixo de um viaduto na Dutra e logo estávamos na estrada para Areias.Na primeira subida, tivemos uma vista interessante: A Rodovia Presidente Dutra, O Rio Paraíba e uma ferrovia.Já nos primeiros vinte minutos, começou a cair uma chuva fina que nos acompanhou pelos 13 quilômetros seguintes, só parando quando estávamos próximos de nosso destino.Na chegada de Areias, existe uma praça onde estão uma escultura de Monteiro Lobato, ilustre morador da cidade e outras de alguns de seus personagens do Sítio do Pica Pau Amarelo.Ao chegar na cidade, fomos recebidos pela chuva novamente.Nos dirigimos para a Casa da Cultura, onde também tem uma escultura do ilustre morador e estão guardados alguns objetos e até alguns escritos de Monteiro Lobato.Na prefeitura, conversamos com algumas pessoas e obtivemos informações sobre a Serra da Bocaina.Almoçamos no Restaurante da Dona Maria e partimos em direção a serra.Pedalamos por oito quilômetros pela estrada que liga Areias a São José do Barreiro e entramos numa estrada de terra que nos levaria a Serra da Bocaina.Por volta de quatro horas da tarde, sob uma chuva fina e constante, paramos na Fazenda Santa Carlota no pé da serra.Lá conversamos com o Reinaldo que nos deixou montar a barraca numa área coberta. À noite chegou o Sr.Gonçalo, administrador e nos cedeu uma casa que estava vazia, mas com luz elétrica e chuveiro quente. Passei apreensivo e até um pouco triste porque não íamos mais subir até a nascente por ali.
TERCEIRO DIA- 17 DE JUNHO DE 2008
Acordamos atrasados às 06:50 e rapidamente montamos nossas coisas nas bicicletas pata voltarmos para Areias e tentar subir pelo outro lado. Que surpresa tivemos ao sair de casa : O Sol!! Ele estava lindo e acompanhado de um céu azul. Pronto:Agora animamos a subir por ali mesmo. Nos despedimos do Sr. Gonçalo, Reinaldo e Paulo Sérgio que nos alertou das dificuldades da subida e também para ter cuidado com onça no caminho. Pensamos um pouquinho mas estávamos certo de subir por ali. Parttimos então empurrando as bicicletas com quase 40 quilos de bagagem cada. Tínhamos uma bela vista da serra com muita água e pássaros cantando. Depois de passar por uma placa que indicava os 1.160 metros, pudemos ver ao longe a represa de Funil, localizada em Resende. Foram 10 quilômetros de subida com muita vontade de encontrar a nascente, vencidos em 5 horas. Às 13:30, chegamos à Fazenda pau Casado, no alto da Serra da Bocaina. Lá fomos recebidos pelo Zélito, mestre de obras e pelo Zé Braz, administrador da fazenda. Zélito não nos deixou sair dali e nos convidou a almoçar e a passar a noite com eles. Passamos o restante da tarde com o Márcio, um marcineiro que nos mostrou um pouco da fazenda e algumas de suas obras. A noite, depis de uma conversa muita agradável com o Zélito, um baiano que veio para São Paulo em 1989 e morador de Lorena desde 2004, jantamos uma comida preparada pelo Mário. Pouco antes de dormir, curtimos a lua cheia no alto da serra e também avistamos as luzes de Areias, Itatiaia e Resende. Neste dia recebemos várias ligações e mensagens dos amigos.
QUARTO DIA- 18 DE JUNHO DE 2008
Após uma noite bem dormida a 1.300 metros de altitude, na fazenda Pau Casado, preparamos nossas bicicletas, tomamos um café reforçado, nos despedimos dessas pessoas maravilhosas e partimos às oito e meia da manhã em direção a nascente. Passamos pela árvore chamada de Pau Casado e fomos empurrando as bicicletas serra acima. A cada curva aparecia, ficávamos achando que a subida estava no fim e assim foi até meio-dia quando finalmente chegamos no alto da serra a uma altitude de 1.700 metros. Pouco antes recebera incentivo do Carlinhos Moreira por telefone, que ainda funcionava por ali. Em, busca da nascente, conversamos com o Sr. Chico Bento, que nos mostrou o caminha e ainda nos ensinou um atalho passando pela várzea em ao invés da estrada. Só não nos disse que lá em cima era enorme. Continuamos subindo bastante e passamos algumas vezes pelo próprio Paraitinga e por várias casas e sítios praticamente abandonados. Quando olhamos a tamanho da várzea ficamos até assustados.Como poderia ter um lugar daquele naquela altura toda. E fomos contornando a várzea passando pelos pastos e cruzando o Paraitinga que apesar de estar próximo à nascente já se mostrava bastante fundo. Eram três e meia da tarde quando chegamos à nascente. Foi bem legal chegar onde nasce um rio que é tão vital para tantas pessoas. Bebemos água na nascente, fotografamos e ficamos observando e conversando um pouco. Agora tínhamos que sair da serra, só que não sabíamos que era tão grande. Fomos pelo caminho que o Sr.Chico bento nos ensinou, mas ficamos na dúvida e não sabíamos para onde ir e tempo passava e depois de muitas dúvidas eu disse ao Jorge que iríamos voltar, só que agora pela estrada e não pela várzea. Foi uma boa idéia pois pudemos assistir a um lindo por do sol e ao mesmo tempo, a chegada da lua cheia. Começamos a descer então para passar a noite na casa do Sr.Chico. Chegando lá ele não estava. Paramos em uma outra casa, já Às sete da noite o frio apertava e rapaz não deu chances para uma pousada ali. Só nos restava descer a serra em direção ao Bairro dos Macacos, 40 quilômetros dali. Era muito frio e não podíamos parar para pegar mais blusas pois demoraria muito para desmontar e montar tudo. Com as mãos doendo e dormentes, chegamos por volta de 10 e meia da noite em uma casa que depois de muito chamar, apareceu um senhor e nos informou que o bairro dos Macacos estava 17 quilômetros abaixo e uma pousada a uns seis. Só que apesar de ser uma descida, num certo ponto encontramos uma série de morros. A esta altura, toda energia do meu corpo tinham sido usadas durante as horas passadas e não estava mais agüentando.Era muito frio e a fome era cada vez maior. Com muita garra e rezando bastante, fomos subindo os morros. Por duas vezes o Jorge teve que me ajudar a empurrar minha bicicleta e enquanto ele ia buscar a sua, eu quase dormia. Por volta de meia-noite, chegamos a Pousada da Joaninha mas por causa do horário, armamos rapidamente nossa barraca em baixo e uma cobertura e eu me apressei para trocar de roupa, e entrar dentro do saco de dormir em lançando um cobertor por cima. Só me lembro de pedir ao Jorge um biscoito salgado que mamãe havia colocado lá na última o hora e que me ajudou muito. Me lembro também do Jorge dizendo: “ dorme, dorme que o sono alimenta”.Apaguei...
QUINTO DIA- 18 DE JUNHO DE 2008
Acordei com os cantos dos pássaros e a luz do sol. Chamei o Jorge e começamos a desmontar nossas coisas para montar nas bicicletas. Enquando o Jorge me dizia que eu tinha mexido muito durante a noite, um fusca estacionou perto de onde estávamos e fui lá saber se o motorista era o proprietário. Ele disse que não e que o dono era do outro lado da estrada e que eu podia ir até lá que já tinha alguém acordado. Então atravessei a estrada e chamei,.Fui atendido pela Claudinéia, gerente da Pousada da Joaninha. Logo fui me desculpando por entrar assim sem pedir, mas a hora era muito avançada e o frio era demais. Ela disse que estava tudo bem e que iria preparar um café para nós. Depois conhecermos outros moradores dali, veio ao nosso encontro o Sr. Paulo Mendonça, proprietário e muito educado.Ele disse que devíamos ter chamado por tinham leitos vagos. Conversamos um pouco e ele logo desceu a serra, nos dando a dica de quem procurar para acharmos a estrada para seguir pelo rio Paraitinga. Tomamos um café delicioso oferecido pela Pousada da Joaninha ( reservas: 12- 9785 5108) e descemos em direção ao Bairro dos Macacos. Chegamos no Bairro dos Macacos(uma curiosidade: por aqui eles não falam distrito e sim bairro) por volta das 11 horas da manhã. Conseguimos informações com o Sr. Fagundes, almoçamos e seguimos pelas margens do Paraitinga. Iríamos até o Bairro Rocinha, distrito de Guaratinguetá. Chegamos lá por volta de 5 e meia da tarde e fomos logo procurar informações de onde poderíamos dormir. Paramos num mercado e um rapaz muito atencioso nos informou um bar onde o dono toma conta de um campo de futebol. O rapaz nos deixou acampar lá mas estávamos muito cansados e fomos tentar abrigo no posto de saúde local mas o vigia só chegaria lá as sete da noite.
Resolvemos então procurar um acesso a internet, mas a loja só tinha duas máquinas e fechava as oito. Foi aí que apareceu um rapaz com toca do Santos F.C. e um martelo na mão. Nos perguntou se estávamos procurando um lugar para dormir. Depois do nossa sinal de positivo ele nos levou para ver um quartinho nos fundos de sua casa que tinha um sofá e uma pia. Resolvemos ficar por ali. O Gilberto ainda se ofereceu para preparar nosso jantar e nos liberou o banheiro de sua casa com chuveiro quente. Era o que precisávamos pois na noite anterior não tomamos banho devida as condições. Jantamos ao lado do Gilberto uma comida feita no fogão a lenha e bem gostosa. Depois ficamos conversando sobre nossas vidas e ele nos contou dos seus filhos e de sua luta. Ao Gilberto e sua família, deixo aqui nosso agradecimento pela acolhida e a certeza de sempre encontrar pessoas boas e de bem pelo caminho. Entramos no quarto e ainda tentei escrever o nosso diário mas... o sono não deixou.
SEXTO DIA- 18 DE JUNHO DE 2008
Acordamos por volta das seis horas e fomos logo dobrando nossos cobertores, juntando nossas coisas e fomos informados que o Gilberto estava nos preparando um café da manhã. Uma hora e meia se passou até que as bicicletas ficassem prontas para a jornada do dia. Tomamos nosso café conversando com o Gilberto sobre qual caminho seguir para chegar a São Luís do Paratinga, passando o mais próximo das margens do rio. Ele nos ensinou e ainda nos disse os nomes de vários fazendeiros conhecidos que moravam na região. Despedimos-nos dele e de seu filho Gustavo e pegamos à rodovia em direção a Cunha-SP. Dez quilômetros depois, cruzavamos novamente uma ponte sobre nosso companheiro de viajem. Ali entramos à direita e fomos pedindo informações. Mais uma vez várias cachoeiras pelo caminho e um rio forte e com muita água. Agora, segundo informações e contra os meus estudos pelo Google Earth, nós teríamos que tomar uma estrada em direção à cidade de Lagoinha-SP. Deixamos o rio e seguimos então as informações recebidas. Uma coisa de positiva eu sabia que encontraria: A Cachoeira Grande! Uma queda d’água de aproximadamente 40 metros de altura num dos mais importantes afluentes do Paraitinga. E fomos pedalando com a intenção de achar um hotel ou pousada e uma lugar de acesso à internet para atualizar o site. Chegamos a Lagoinha às duas horas da tarde e achamos a pousada, a lan-house e também o restaurante da Dona Lia onde almoçamos. Fomos para pousada arrumar nossas coisas, tomar banho e enquanto eu me mandava para a lan-house, o Jorge acabava de acertar as coisas. Depois de atualizar o site, talvez iremos à festa junina aqui na Igreja Matriz.
SÉTIMO DIA 21 DE JUNHO DE 2008
Depois de uma noite tranqüila em um amplo apartamento com duas camas, banheiro e tv, acordamos bem dispostos para mais um dia de pedaladas. Nosso destino agora era São Luís do Paraitinga que está localizada no topo da Serra do Mar entre Taubaté e Ubatuba. Saímos de Lagoinha por volta de oito e meia da manhã e fomos informados que aproximadamente 25 km nos separavam do nosso destino. Ficamos sabendo também que esta é a distância média entre as cidades da região, pois era a distância que as mulas que levavam as riquezas de Minas Gerais para os portos de Ubatuba e Parati, conseguiam andar durante um dia. Assim foram nascendo às cidades onde os tropeiros paravam para pousar. Quatro quilômetros depois de Lagoinha, em direção a S.Luis do Paraitinga por estrada de terra, chegamos à Cachoeira Grande, uma bela queda d’agua de aproximadamente 40 metros de altura. Lá o Jorge teve coragem de entrar na água, coisa que não consegui. No local onde se encontra a Cachoeira Grande, existe uma lanchonete e local para churrasco, banheiros, camping e para quem gosta e esportes radicais, tem rapel e tiroleza. Alguns quilômetros mais abaixo, encontramos com o Rio Paraitinga novamente. Nos últimos dez quilômetros antes de chegar a nosso destino, pedalamos pela margem esquerda do rio. Neste trecho, vimos algumas fazendas leiteiras muito bem organizadas com belas vacas. Quase chegando em São Luís do Paraitinga, meu bagageiro dianteiro quebrou-se, atrasando a viagem e deixando nossa máquina fotográfica em péssimo estado. Talvez só consiga novas fotos a partir de São José dos Campos, mas estamos dando um jeitinho brasileiro por aqui. Chegando por volta das duas da tarde em São Luís do Paraitinga, que tem um centro histórico muito rico e é onde nasceu o importante sanitarista brasileiro Oswaldo Cruz, fomos direto para o Camping do Saci, do Donizeti. Perguntei a ele sobre o nome e ele me disse que o nome é porque herdou as terras de seus pais e lá ele já viu várias vezes os sacis e nos contou algumas estórias que já presenciou. O camping fica ao lado do Paraitinga e nunca estivemos tão perto por tanto tempo como esses dias. O camping conta com campo de futebol, chuveiros quentes, lavanderias, cozinha e é bem no centro da cidade. Um ótimo local para se ficar. Às quatro da tarde, almoçamos e enquanto o Jorge descansava, fui atualizar nosso site. A noite quando íamos dar uma volta no centro, começou a cair uma fina chuva e fomos dormir pensando nas histórias dos sacis...
OITAVO DIA- DOMINGO 22 DE JUNHO DE 2008
Hoje acordamos e enquanto o Jorge foi buscar o pão, eu preparei um café com leite bem quente para animar a manhã. Jorge chegou com um pacote de pão, mussarela e um pudim de pão enorme, rsrsrs. Depois de tomarmos o café, fomos convidados pelo Donizeti para assistir a uma partida de futebol do time do Saci, mas tínhamos que acabar de acertar a bicicleta e quando demos conta já era tarde para o futebol e nos restou passar o restante da manhã visitando o centro de São Luís de Paraitinga, onde pudemos ver um busto em homenagem ao filho ilustre, Oswaldo Cruz, muitos casarões, alguns inclusive sendo reformados, e também um chafariz centenário que era usado pelos tropeiros e que funciona até hoje. Também demos uma volta pela avenida que segue a margem esquerda do rio e de lá fomos até o Mercado Municipal onde existem restaurantes, lojas de artezanatos, açougues, etc. Depois fomos para o camping preparar nosso almoço. Por volta da três da tarde o Donizeti chegou e disse que tínhamos perdido uma vaca atolada, oferecida pelo time adversário. Que pena, até que ia cair bem mas...
O Donizeti ainda nos contou mais algumas histórias, falou sobre a cidade e depois, viemos para a internet atualizar o site e voltar para preparar as coisas para sairmos bem cedinho para Natividade da Serra e tentar adiantar nossa viajem que está um pouco atrasada. Vamos tentar consertar a câmera o mais breve possível para mostrar pra vocês onde estamos. Grande abraço e até breve.
NONO DIA-SEGUNDA -FEIRA- 22 DE JUNHO DE 2008
Vamos começar o relato do nono dia falando mais um pouco desta pessoa cativante, humana e cheia de espiritualidade que é o nosso amigo Donizete, o "Zizi" do Neneco, figura simpática de São Luís do Paraitinga. Ele ontem antes dormir ainda veio falar conosco sobre um outro caminho que poderíamos seguir para chegar em Paraibuna, que seria passando pelo próprio Rio Paraibuna, mas como estamos atrasados e por lá é uma volta grande, depois discutirmos outras opções, achamos que seria melhor pegar uma pista asfaltada que segue em direçção a Taubaté, e 25 km depois de São Luís do Paraitinga, entrar para Redenção da Serra. Nossa viagem até aqui foi feita em estrada de terra o que nos deixou com uma média horária de apenas 8,8 km por hora, pois os morros dessas estradas são impossíveis de subir pedalando. Então seguimos o roteiro planejado e acreditem, pedalmos 45 km em 2 horas e 40 minutos o que provou que quando estivermos no asfalto vamos recuperar bem. Então chegamos em Redenção sa Serra, aliás quase chegamos porque antes de chegar a tal cidade, perguntamos a uma pessoa na estrada qua seria o caminho para Paraibuna e ela nos informou que teríamos uns 500 metros e entrar na igreja grande e seguir a estrada de cima. Quando passamos por tal igreja, fiquei me perguntando o motivo de uma igreja tão grande para umas poucas casas. Depois é que fui me lembrar que já havia lido sobre Redenção da Serra, uma cidade que foi inundada pela represa de Paraibuna e uma nova cidade construída no alto do morro que não chegamos a conhecer. Depois de tomar um gostoso café na "velha" Redenção da Serra, continuamos pedalando, novamente por estrada de chão, o que nos fez ser lentos novamente e ainda pegamos uma chuva um pouco mais forte nos fazendo parar em um curral para não nos molharmos muito. Chuva passada e continuamos, margeando a represa, coisa que estávamos fazendo desde Redenção da Serra. Passamos por lindas paisagens, com muita água e pela Vilka de Pescadores Alegria, onde as casas são montadas em cima desses tambores de plástico, formando uma imagem super nova para nós. Tinha casa colorida, camuflada, preta e branca, etc. Muito bacana, alegre e muita água junta, coisa que só tinha visto em mar. Continuamos pedalando e a chuva caiu novamente.Mais alguns metros e a bicicleta do Jorge fura o pneu. Começamos a encher para pelo menos sairmos da chuva, quando ouvimos o som de um caminhão. Pedimos uma carona e ele nos trouxe até Paraibuna, economizando uns 18 km de pedaldas. As coisas estavam pra nós e procurando por uma oficina, encontramos um centro de informação e turismo. Entramos e fomos recebidos calorosamente pelo Djair que nos deu várias dicas, se interessou pelo nosso projeto. Mais alguns minutos e chegou a Suzi, outra pessoa supr pra cima e decidida. Nos deu a maior força e junto com o Djair, conseguiu lugar para ficarmos, com tudo que precisávamos. Eles ainda conseguiram marcar para amanhã cedo, uma visita ao lago da CESP onde poderemos ver onde começa o rio Paraíba do Sul e ver o enorme lago formado pelos rios Paraitinga e Paraibuna. Tentei arrumar minha câmera fotográfica e vou ficar devendo as imagens desses dias até que eu consiga capturar as fotos dos filmes que fiz. Vou esperar chegar em Jacareí ou São José dos Campos para comprar outra máquina, pois aqui são poucas opções e preços salgados. Mais uma vez eu e Jorge conversando, admitidos que é preciso ter fé, muita fé e é assim que começamos e terminamos nossos dias, acreditando que um "Poder Superior" a nós vem nos carregando a cada curva do caminho. Depois de preparar e mandar pra dentro uma sopinha, vim para mandar notícias para vocês. Um grande abraço, até breve e serenidade sempre...
DÉCIMO DIA-TERÇA -FEIRA- 24 DE JUNHO DE 2008
Acordamos bem cedo para não chegarmos atrasados para a visita aÀ CESP em Paraibuna. Chegamos a portaria da CESP por volta de oito e meia da manhã na companhia do prestativo Djair que foi informado que o Júlio, técnico em meio ambiente da CESP nos aguardava. Júlio disse que a visita podia durar até três horas e meia,então fomos direto para o viveiro de pássaros onde são reproduzidas em cativeiros várias espécies de aves nativas da região da barragem entre elas o nambu, a jacutinga e o macuco. Quando decíamos do viveiro, vimos um bando de esquilos correndo pelos galhos das árvores, mostrando sua habiliade e rapidez. Nos dirigimosentão para o horto, onde gostaria que Bebeto mei irmão estivesse conosco. No horto estão catalogadas327 espécies de plantas da região entre elas, o jacarandá, nêspera, cambuci, ipês, flamboyam entre outras. No momento eles produzem um milhão e quinhentas mil mudas por ano de 137 espécies. Segundo o Júlio, o programa de reflorestamento já cobriu a devastação feita para a construção da represa. Do horto, fomos para a barragem onde vimos algumas da 204 ilhas catalogadas mas que na verdade são mais de 300 no lago da barragem. Ele nos explicou que para que as águas do rio Paraitinga viesse mais para a esquerda e se juntassem às do rio Paraibuna, foram feitas diversas explosões que criaram um buraco fazendo o rio descer. Antes o encontro dos rios era onde hoje está localizada uma tulipa, uma espécie de ladrão onde quando na época das cheias a água desce. Do alto dos quase cem metros da barragem vimos as matas replantadas inclusive um enorme bambuzal que segundo eledeu muito trabalho. Duas curiosidades sobre a barragem: A barragem foi construida com o objetivo de controlar o fluxo de água dpo Rio Paraíba do Sul que nas enchentes prejudicava muito as cidades rio abaixo e não para gerar energia elétrica. A outra curiosidade é que na construção chegaram a trabalhar 17 mil trabalhadores. Do alto da barragem, fomos para a psicultura, onde fomos atendidos pelo Danilo que disse que estão fazendo um repovoamento e que a meta anual é de 550 mil peixes por ano. Ele nos contou ainda que o dourado não fazia parte a bacia do Paraíba do Sul e que depois de introduzido, trouxe um enorme prejuíso para as piabanhas que agora, com a sumida do dourado estão violtando graças a esse projeto que entre outros colaboradores, conta com a parceria do Projeto Piabanha de Itaocara-RJ. Além da piabanha, também são produzidos a pripapetinga do sul, o surubim do Paraíba do Sul entre outros. Dalí, fomos para a parte final da visita na casa das máquinas onde conferimos duas enormes turbinas e onde contece a formação do Rio Paraíba do Sul. Agradecemos ao Júlio e fomos com o Djair para conhecer o lugar onde acontecia a antiga união dos rios. De lá voltamos para o nosso abrigo e fomos almoçar num restaurante ao lado. Após o almoço, por volta de meio dia e meia, eu disse ao Jorge:Vamos partir. Não dá pra ficar parado até amahã. Partimos e nocaminho resolvemos, por vários motivos, alterar nosso roteiro, indo direto para São José dos Campos. Saímos às duas e meia da tarde e chegamos em S.José dos Campos por volta das cinco da tarde onde compramos uma nova câmera e fomos em busca de um local para passar a noite. Achamos uma pousada onde tomamo um banho e fomos descansar para as pedaladas do dia seguinte.
DÉCIMO PRIMEIRO DIA-QUARTA -FEIRA- 25 DE JUNHO DE 2008
Antes de sairmos de São José dos Campos, resolvi algumas coisas no banco 24 horas e às oito da manhã estávamos na Rodovia Presidente Dutra e não tínhamos idéia de quantos quilômetros alcancaríamos nesse dia pois até então estávamos pedalando em estrada de terra e pedalar 30 quilômetros era difícil, pois na maioria dos morros tínhamos que empurrar. Começamos a pedalar e sentímos que ia render e fomos deixando para trás Caçapava, Taubaté, Tremembé, Pindamohangaba e Roseira e quando nos demos conta estávamos chegando em Aparecida às duas da tarde. Nesse dia, distante do rio só o vendo algumas vezes durante as pedaladas. Só nos encontramos de novo quando chegamos em Aparecida no Mirante de Pedra onde uma imagem de Nossa Senhora Aparecida está de costas para o rio. Dalí fomos a Basílica e agradecemos e pedimos proteção para nós e nossos amigos e familiares. Conseguimos achar uma agora uma pensão e amanhã cedo vamos procurar ficar mais perto do rio para enviar novas fotografias.Até breve.
DÉCIMO SEGUNDO DIA-QUINTA -FEIRA- 26 DE JUNHO DE 2008
Como comentamos ontem, hoje saímos em busca do Rio Paraíba novamente. Logo na saída de Aparcecida, descobrimos uma estrada que segundo infoirmações seguia a curva do rio. Pegamos uma estrada com barro e só conseguimos ver o rio uma única vez e no final da curva, estávamos em Guaratinguetá que em tupi quer dizer terra das garças brancas. Lá paramos em uma feira onde compramos frutas, comemos aquele pastel de feira e conhecemos oSr. Djalma, um amante das bicicletas. Ele nos disse que escreve uma coluna no jornal local "Guaypacaré" que quer dizer terra das goiabeiras. Entre outras informações, ele nos contou sobre uma pesquisa recente quew aconteceu por lá, onde 18 idosos acima de oitenta anos que usaram a bicileta a vida toda, foram examinados e constatada a ótima saúde. Deixamos um abraço para o Sr. Djalma e aguardamnos o contato dele através do nosso site. Antes de sair de Guará, paramos para tirar fotos no monumento das garças. De lá partimos para Lorena, já pedalando contra o vento. Chegando em Lorena, pudemos ver o Paraíba bem de perto e atravessar duas pontes em poucos metros. Lá a beira rio é bem pavimentada e existem banquinhos ao longo das avenidas. De Lorena seguimos na direç~çao de Cachoeira Paulista, mas antes passamos por Canas, uma cidade pequena bem bonitinha e tranquila. Comno estávamos de passagem, paramos apenas para tirar uma foto do marco da Estrada Real. Pedalamos mais um pouco e estávamos em Cachoeira Paulista, a cidade da Canção Nova. Lá fomos em busca do rio e encontramos uma ponte que nos lembrou a ponte velha de Pádua. Tiramos algumas fotos, fizemos um lanche e partimos para Queluz, agora pedalando contra um vento muito mais forte que nem nas descidas não nos deixava ir mais rápidos, ao contrário do dia anterior. Depois de passar por Cruzeiro e Lavrinhas, começamos a pedalar pela margem esquerda do Rio Paraíba do Sul até chegar em Queluz. Nesse trecho, paramos muitas vezes para clicar o rio e pudemos ver as obras iniciais de um barragem que está sendo construída próximo a Lavrinhas. Chegamos em Queluz mortos de fome por volta da cinco e meia da tarde e fomos ao mesmo lugar onde ficamos no primeiro dia de viagem. Lá fizemos um lanche, montamos nossa barraca e vim mandar notícias, enquando o Jorge descansa e me aguarda para o jantar. Dessa vez quem nos recebeu em Queluz foi o Mauro, a quem agradecemos desde já. Amanhã vamos tentar chegar em Volta Redonda e quando puder mando notícias. Um abraço a todos e até breve.
DÉCIMO TERCEIRO DIA-SEXTA -FEIRA- 26 DE JUNHO DE 2008
Acordamos em Queluz por volta de cinco e meia da manhã e rapidamente desarmamos nossa barraca, montamos nossas bicicletas e pouco depois das sete estávamos pedalando. Pedalamos por seis quilômetros e quando paramos para tirar a primeira foto do dia, a triste constatação: esquecemos o carregador e as pilhas lá em Queluz. Não tinha outro jeito a não ser voltarmos. Assim fizemos e ainda conseguimos entrar novamente na internet para mandar as fotos do dia anterior. De volta à estrada, pedalamos forte com a intenção de chegar em Volta Redonda ainda hoje. Um vento forte e contra ainda tentava difilcutar as coisas mas não desanimamos um minuto sequer. Vimos o rio, já como represa de Funil e muitas vezes pelo caminho. De repente, quando nos aproximamos de Porto Real, nos vimos em 1976 quando meu pai nos levava para ver a "máquina tricolor" atuar no Maracana. Nessa época ficavamos na frente da tv esperando notícias do FLU e ouvimos a triste notícia da morte do querido presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek. E agora estvávamos alí, eu e Jorge no mesmo pedaço de chão onde aconteceu o trágico acidente. Eu disse para o Jorge:" Pára, pára, pára aíiiiii", olhando para o monumento em homenagem a passagem dos trinta anos de morte do presidente. Tiramos algumas fotos, falamos um pouco sobre o Brasil e voltamos para o presente e nossa viajem. Agora queríamos chegar em Resende. Continuamos contra o vento e quando passávamos próximo de Resende em um ponto de apoio ao usuário da Dutra, fiz uma coisa que vinha enrolando para fazer há uma semana: Procurei um médico para dar uma olhada na perna que machuquei no acidente que causou a quebra da máquina fotográfica e ainda não tinha relatado aqui para não causar preocupação. Fui atendito pelo Dr.Waldir e Sr. Fernando que muito atenciosos e educados, me orientaram a procurar um ortpedista, pois a perna estava inchadada e com vasos arrebentados. Eles me aplicaram uma injeção e me sugeriram também repouso, coisa que só faço na parte da noite quando deito com a perna para cima. Nos despedimos dos amigos da Dutra e seguimos firmemente para chegar agora Barra Mansa. O trânsito era muito pesado com infinitos caminhões, e estávamos com um pouco de fome pois as frutas a essa altura não conseguia nos dar força suficiente para mantermos o ritmo, quando chamei o Jorge para fazermos um lanche no "Ovoaltine". Bendita opção parar alí. Fomos atendidos pela bela e simpática Marinez, que conversou conosco se interressando sobre nossa viagem e como nos virávamos na estrada. Ela nem deve imaginar o quanto bem nos fez ao nos dirigir aquelas simples mas atenciosas palvras naquele momento quase final de nosso dia de pedal, pois faltavam aproximadamente 18 km. Sinceramente eu saí dali com um novo gás, que mais a frente o Jorge também me confesara estar sentindo. Comecei a pedalar ouvindo o Jorge cantar "Paralelas" do Belchior e pensando profundamente na vida. Foi quando me lembrei das palavras do Hiroto em seu recado quando diz que a cicloviajem não é simplesmente encher a bicicleta de bagagem e sair pedalando por aí. É preciso ter a mente e o coração abertos, é preciso se dar, é preciso receber, é preciso captar as energias que vem para o seu bem. Nossa!!Como tenho que aprender. Fomos indo e eu pensava agora em encontar o "Coquuinho", meu amigo de infância que mora em Volta Redonda e nos daria abrigo, mas só que ele é vendedor e poderia estar para Minas. Pronto, chegamos e fui ligar. Quem me atendeu foi a Letícia, filha do Gutemberg(Coquinho) de 7 anos."Seu pai tá aí?" eu perguntei.´"Tá sim" ela me respondeu.Falei para o Jorge:"Estamos em casa, o Coquinho tá aí". Fomos ao encontro dele e quando cheguei perto de uma pessoa conhecida depois de 13 dias, senti uma forte emoção e segurança. Nosso dia estava tinha sido ótimo e não podia melhorar mais. Engano meu!! Em casa fomos recebidos pela Elenice, esposa do meu amigo e seus filhos Letícia e Vinicius que enquanto o Coquinho fi comprar algo para o nosso jantar, nos serviu um lanche. Nosso jantar foi um delicioso churrasco e para encerrar o dia o Coquinho pegou o violão e me surpreendeu ao tocar e cantar músicas que tinha comigo em meu MP4 e que há muito tempo não cantava com um viiolão acompanahando. Estava encerrado o nosso 13º dia. No momento estou em Vassouras, já no 14º, fechando a 2ª semana, mas não tenho condições de ficar em frente ao computador e aqui não é possível enviar as fotos. Amanhã, em Três Rios acerto nosso diário e envio as fotos. Agora vou descansar para o dia de amanhã. Grande abraço e até breve.
DÉCIMO QUARTO DIA-SÁBADO- 26 DE JUNHO DE 2008
Acordamos mais tarde em Volta Redonda e o Coquinho insistia para que ficássemos para o almoço, mas queríamos chegar a Vassouras hoje ainda, assim tomamos o café da manhã e pegamos à estrada para completar a segunda semana de viagem. A estrada estava bem movimentada, principalmente por caminhões que não paravam de passar nunca, o quê nos causava uma tensão contínua principalmente quando nos aproximávamos de pontes, mas mesmo assim eu me arrisquei a fazer algumas fotos sobre a travessia de concreto. Quando chegamos perto de Barra do Piraí, descobrimos uma estrada alternativa e que passava perto da represa. Usamos esta estrada e pudemos ver bem de perto o lago da represa e o local da transposição do Rio Paraíba do Sul para abastecer o Rio Guandu, que abastece a região metropolitana do Rio de Janeiro. Fizemos algumas fotos ali e seguimos para o centro da cidade onde almoçamos e tiramos mais umas fotos. Agora faltavam cerca de 15 kms para Vassouras e de barriga cheia fomos felizes pela estrada. Pouco antes de chegar ao nosso destino paramos na Fazenda Santa Cecília para falar o com Flávio, amigo de velhos tempos do Carlinhos Moreira e que conhecemos no último recital do professor. Como ele não estava, deixamos um abraço e seguimos até Vassouras. Chegando lá eu sabia que não seria fácil encontrar um lugar para ficar, pois fim de semana a cidade fica cheia. Depois de perguntar muito, chegamos à pensão da Tia Nair. Acomodamos-nos e fomos conversar um pouco com essa senhora de 84 anos. Tomei um banho e fui à internet contar como fora o dia anterior. Mais a noite, quando voltei, ela me contou que conhecia uma senhora que era de família de Miracema, Dona Dulce Lemos Machado que é jornalista e escritora. Depois do jantar passamos em frente a sua casa, mas como estava tudo fechado e apagado resolvemos não chamar. À noite, ouvindo a rádio local ouvimos a participação desta senhora, onde ela fala dos nomes das ruas e praças e quem foram essas pessoas. Nosso encontro ficou para a próxima. Voltamos para a pensão e fomos descansar para o próximo dia.
DÉCIMO QUINTO DIA- DOMINGO- 29 DE JUNHO DE 2008
Hoje acordamos no horário normal às 05h50 h conforme nosso despertador. Preparamos as bicicletas e fomos tomar o café da manhã. Depois de despedir-mos do pessoal da pensão, ainda passamos em frente à casa de Dona Dulce, mas estava tudo quieto como no dia anterior. Resolvemos dar mais uma volta pela praça e fazer umas fotos. Pronto agora era só perguntar pela saída e pedalar. Assim fizemos e agora queríamos chegar em Três Rios. Optamos por nos afastar um pouco do rio para evitar da dar uma grande volta e encontrar o rio novamente no caminho para Paraíba do Sul. Pedalamos sem ver o rio até chegarmos em Andrade Pinto, onde passamos sobre um aponte onde vimos uma enorme corredeira onde tinha até um pescador. Quando chegamos a Paraíba do Sul, resolvemos almoçar e depois caminhamos um pouco, pois Três Rios estava a apenas 15 km. Chegando em Três Rios, montamos nosso acampamento num posto de combustível na beira da estrada, onde pela primeira vez, compramos um banho. E ali é que vi o quanto desperdiçamos água e energia elétrica. O banho custa dois reais e o chuveiro fica aberto por seis minutos. Temos dois minutos para tirar a roupa e depois a água cai por seis minutos. Tomei meu banho direitinho e depois fiquei aproveitando a água que caia quentinho em minha cabeça. Experimente tomar um banho de seis minutos e depois me fale. Mudei minha roupa e saí para atualizar o site e voltar rapidinho para descansar, pois nunca fico menos de duas horas na internet para as novidades no ar. Um abraço e até amanhã.
DÉCIMO SEXTO DIA- SEGUNDA-FEIRA- 30 DE JUNHO DE 2008
Acordamos depois de uma noite bem fria em Três Rios, pois nosso barraca ficou montada ao ar livre e amanheceu com o sobre teto bem molhado. Então arruamamos nossas coisas novamente e decidimos que iríamos até Sapucaia.Uma coisa já ficou bem clara para nós: não é possível ficar o tempo todo ao lado do rio e as vezes somos obrigados a nos separar. Logo no início descobrimos Hotel Fazenda Pontal, que está localizado numa reserva ambiental onde os rio Paraíba do Sul, Piabanha e Paraibuna, se encontram, formando o único delta triplo do mundo. Não podíamos ficar sem conhecer. Lá fomos recebidos e ficamos a vontade para conhecer o local do encontro dos rios e constatamos a boa infra-estrutura do local. Nos despedimos e seguimos para Sapucaia passando pela localidade de Anta.Uns dez quilômetros antes de Anta, começamos a pedalar pelas margens do nosso companheiro. Tiramos uma foto do monumento em homenagem ao animal e seguimos para Sapucaia, onde chegamos por volta de meio-dia. Não podíamos pedalar até alí somente. Almoçamos e resolvemos ir até Além Paraíba. Na saída de Sapucaia, quando subíamos um morro, ouvi uma voz vinda e um grupo de homens que faziam a manutenção da estrada: " Ô André, o que que você está fazendo aqui?". Parei a bicicleta, tirei os óculos e reconhecí o Jairinho, um rapaz que ví ainda menino quando morei na Av.Antônio Mendes Linhares. Tomamos uma água gelada, conversamos e parti novamente. A partir deste trecho, pedalamos avistando o rio e vimos uma obra que parece mais uma barragem. encontramos também lindas e fortes cachoeiras onde se ouve o barulho de longe. Às 4:45 estávamos com nossas bicicletas estacionadas no Posto Jamanta. Montamos a barraca, tomamos banho e fui tentar atualizar o site, coisa que não consegui pois mais uma vez a loja não permitia baixar as fotos e como estava cansado, não tive paciencia de pedalar mais para procurar outra loja e precisava deitar um pouco. A noite fizemos um lanche e fomos dormir. DÉCIMO SÉTIMO DIA- TERÇA-FEIRA- 01 DE JULHO DE 2008
Saimos de Além Paraíba sob forte neblina e nosso destino hoje é Itaocara. Sabíamos que teríamos um trecho bem dufícil pois parte do caminho é de terra. Fizemos nossa primeira parada na represa da Ligth logo nos primeiros 10 km. De lá a aágua represada é enviada para as casas de máquinas que ficam aglguns quilômetros abaixo. Tiramos umas fotos e pegamos informações preciossas que encurtaram bastante nosso caminho. Fomos pedalando pelas margens, desta vez bem próximo do rio por um uma estrada que mais parece um trilho de boi. Nesse trecho passamos por vários sítios e locais lindos e acolchegantes com chamativas beiras de rio que no verão devem ficar bem cheias. Vimos também vários pescadores em suas canoas Paraíba afora. De volta a estrada, começamos a render mais e chegamos em São Sebastião do Paraíba, distrito de Cantagalo-RJ. Lá alcançamos os 900 quilômetros percorridos e rumamos para Batatal, distrito de Itaocara, cerca de 30 km dali. Uma curiosidade é que nessa parte depois da represa, o rio anda bem baixo, deixando suas pedras bem a mostra. Passamos por uma enorme árvore que cobria toda a estrada e tinha outras plantas em seus galhos. fomos nos aproximando de Batatal e o primeiro ponto que reconhecí foi a Serra de Flexeiras, vista a gora por um ângulo diferente do acostuma a ver. Chegamos em Batatal, abastecemos nossas garrafas de água e fomos por uma estrada de asfalto para Itaocara. Alí meu telefone voltou para a área 22. Consegui flar com minha irmã que estava em Miracema para levar minha mãe para Campos para nos encontrarmos no fim da viagem. Combinamos de nos encontrar em Itaocara. Assim fizemos e depois de matar um pouquindo da saudade, guardamos nossas bicicletas e fomos em busca de um ônibus para Miracema onde passamos a noite para de manhã voltar para Itaocara e seguir caminho até São Fidelis, passando por Portela, Cambucí e Pureza.
DÉCIMO OITAVO DIA- 02 DE JULHO DE 2008 .
Depois de passarmos a noite em Miracema, acordamos ceo e fomos para Itaocara, onde nossas bicicletas estavão guardadas. Chegamos lá e fomos em busca do Gulherme, do Projeto Piabanha que vem fazendo o a reprodução induzida e repovoamnto nos Rio Pomba e Paraíba do Sul. De saimos decididos a conhecer os tanques de criação do projeto que fica nas margens do Paraíba indo para Portela. Pedalamos passando pela PESAGRO-RIO e chegamos aos tanques onde tiramos umas fotos e voltamos para almoçar a poucos metros dali no Bar e Restaurante do Sr. Divino e Dona Ângela que nos preparou um delicioso file de Carpa. Conversamos um pouco sobre a região, fomos conhecer a foz do Rio Pomba, que desagua no Paraíba do Sul através de três braços. Nos despedimos e fomos pedalando por uma linda alameda de palmeiras imperiais, seguindo sempre pela beira do rio com destino a Portela. Em Portela, paramos na pracinha para fazermos mais umas fotos, onde abracei um leão sem medo nenhum. Também vimos uma antiga ponte suspensa, presa por cabo de aço, mas que não funciona há muito tempo e que levava os moradores para o outro lado do rio em Três Irmãos. Hoje essa travessia é feira em barcos a motores. Dalí pedalmos por mais nove quilômetros para chegar em Cambucí, onde fomos informados que existe um cicloturista chamado Zé Maria. Fomos até sua casa mas ele havia saido em viagem para o Rio de Janeiro. Deixamos o nosso cartão e aguardamos seu contato. Agora começamos a pedalar para Sã Fidelis, passando por Pureza. Foram aproximadamente 15 km em estrada asfaltada e quando estávamos chegando à cidade, completamos os 1000 km pedalados. Chegando em São Fidelis, procuramos informações sobre um hotel e descobrimos o Hotel São José, onde fomos recebios pela simpática Eliane que nos contou várias coisas boas da cidade, nos informando ainda o site da cidade http://www.saofidelisrj.com.br/. Nos acomodamos em nosso quarto, tomamos o banho e vim atualizar o site e sair para jantar e torcer pelo Fluzão na decisão de hoje. Amanhã devemos chegar em Campos dos Goitacazes, o penúltimo município banhado pelo Rio Paraíba do Sul.
DÉCINO NONO DIA- QUINTA FEIRA DIA 03 DE JULHO DE 2008
Depois de ficar acordado até uma e meia da manhã vendo o jogo do Fluminense, acordei mais tarde para seguir o caminho para Campos, o penúltimo município banhado pelo Rio Paraíba do Sul. Despedimos da Dona Maria, Sr. Nelinho e da Eliane, do Hotel São José, demos uma volta pelas ruas de São Fidelis, fizemos algumas fotos e pegamos a estrada para nosso destino. Durante o percurso, tivemos a companhia do nosso companheiro e desfrutamos de lindas paisagens. A época é de seca e pudemos ver muitas bancadas de areia durante a viagem. Como estávamos com tempo e nosso local para ficar e comer era garantido, fomos pedalando calmamente e parando bastante para apreciar nosso companheiro de viagem e antes de chegar a Usina Santa Cruz, encontramos com os amigos de Miracema, Cebolinha despachante e os rapazes da Distribuidora Brasil. Chegamos à Campos por volta de uma e meia da tarde e fomos direto para a Praça São Salvador onde tiramos algumas fotos e fizemos encontramos com o Luigi, meu sobrinho e meu irmão Bebeto. O encontro foi no Cais da lapa onde ficamos pertinho do rio. Lá conversamos com o Chico, do Jornal Mania de Saúde que nos entrevistou e fez algumas fotos para um possível matéria no próximo número do jornal. Às quatro da tarde seguimos para a casa de minha irmã para tomar um bom banho e almoçar. Depois de receber algumas visitas, estou aqui atualizando o site. Amanhã cedo temos um horário marcado com um emissora de TV local. Esse foi mais um dia de nossa cicloviagem que está chegando ao fim. Até amanhã!!
VIGÉSIMO DIA- SEXTA-FEIRA- DIA 04 DE JULHO DE 2008
Nosso compromisso logo pela manhã era uma entrevista, às margens do Rio Paraíba do Sul, no Cais da Lapa em Campos. Acordamos às seis da manhã e depois de nos prepararmos, seguimos para o local combinado. Esperamos algum tempo e cghegou a equipe da TV RECORD de Campos. Conversamos com a Reporter Record Alessandra Ribeiro enquanto o cinegrafista Fabiano Riscado fazia algumas imagens para a matéria. Depois foi a vez da entrevista, que confesso, estava bem tranquilo quando ela me perguntava, acho que que é por estar respirando Rio Paraíba do Sul por vinte dias. Nesses dias, aprendemos muito e quando encontrava com as pessoas e elas nos perguntavam o que estava acontecendo, eu começava a falar do rio, de sua formação, da nascente do Paraitinga, das estradas, etc, assim me senti bem à vontade com a Alessandra. Alias, quero aqui deixar nosso agradecimento a TV Record e seu pessoal de Campos dos Goitacazes: O Marcos, editor que foi nosso primeiro contato e muito simpático nos agendou a entrevista, ao Fabrício, e a equipe que esteve conosco e faz parte da nossa cicloviagem: Alessandra Ribeiro(Reporter Record), Fabiano Riscado(Cinegrafista ) e Humberto Souza( Motorista). Depois da entrevista, fomos visitar alguns parentes, e voltamos para casa de minha irmã, onde ficamos descansando esperando outros contatos com a imprensa e aguardamos o horário da entrevista que foi ao ar às sete e quarenta e cinco da noite. Após o jantar, um agradável papo com a família, foi o aperitivo para o sono gostoso em uma cama confortável. Fomos dormir pensando na etapa final da cicloviagem: Campos dos Goitacazes/Atafona(São João da Barra).
VIGÉSIMO PRIMEIRO DIA-SÁBADO DIA 05 DE JULHO DE 2008
No nosso último dia de pedaladas pelas margens do Rio Paraíba do Sul, saímos de Campos dos Goitacazes com destino a Atafona, em São João da Barra, litoral Fluminense. Mais cinqüenta quilômetros e teria fim a nossa cicloviagem por esse importante rio brasileiro que nós seres humanos teimamos em não dar valor e tanto maltratamos. No caminho, passamos por algumas usinas de cana de açúcar e pelo sertão de São João da Barra, onde fomos até a sede do município, mas antes passamos pela localidade de Cajueiro, que segundo o Eric, um ecologista que vive plantando árvores nas margens do rio, cajueiro mesmo só no nome, pois tais árvores não existem mais. Eric ainda nos ofereceu sua casa para o pernoite, mas agradecemos e informamos que em Atafona ficaríamos alojados. Em São João da Barra, pudemos ver uma bela praça e uma orla bem cuidada, onde existe até uma academia de ginástica ao ar livre. Nesta mesma praça, fica localizado o porto onde as embarcações que fazem o transporte de pessoas atracam. Mais alguns quilômetros e estávamos no pontal de Atafona onde o nosso companheiro de viagem, o Rio Paraíba do Sul, luta contra o mar, já com pouca força, para lançar suas águas no Oceano Atlântico. Além da alegria de conseguir completar mais um projeto do início ao fim, tivemos a companhia de minha mãe Dona Neuza, meu dedicado e querido irmão Bebeto (Passarinho), muitos amigos, moradores locais e outras pessoas que chegavam para tirar fotos com os ciclistas que viram na televisão no dia anterior. Nesse nosso último diário de viagem queremos aqui, deixar o nosso agradecimento a você que esteve conosco por esses vinte e um dias, nos enviando sua mensagem e participando de mais esse projeto.
Agradecemos ao Nosso Poder Superior, Bill e Bob por nossas vidas de volta. Ao meu pai( in memorian), minha mãe pela presença, compreensão e alertas, meus irmãos e familiares, aos pais(in memorian) e familiares do Jorge. As pessoas que acreditaram e apoiaram nosso projeto: Eduardo da Miragás, Ricardo da Lógika, Jolups velho amigo,
Zé Bolinha da Loja do Juca, Genes do Mercado Rodrigues, Primo da Pardaria São José, Celso da Casa do Campo, Ivonei do Mercado Paraíso, Marcos do Bazar São Jorge, Cezinha do Feijó Contabilidade, Guilherme do Posto Bendengó, Guilherme da Casa Marcellino, Talles da Loja Crismon, Paulinho do Clube XV, Delquinho da Miragro, Sara da Loja A Credilar, Clovinho da Sertaneja, ao pessoal da Mega Academia. Agradecemos aos que estiveram conosco antes do dia da partida em nossos preparativos e treinamentos: Juninho, meu irmão companheiro e amigo, Carlinhos Moreira, amigão e sempre presente, Sandra Valeriote, Monique e Amanda, novas amigas de São José de Ubá, ao Lelo do Parque Ecológico Santa Rita, ao Levi da Ventania, ao Kiko do Parapente, ao grande “Chumbinho”, ao pessoal das fazendas onde treinamos, ao fiel amigo Juici. Agradecemos também às pessoas que conhecemos e que nos acolheram em suas cidades, mesmo não nos conhecendo e sempre abrindo suas portas para nós: Ao Guilherme, Pedro, Boa, Marcinho e Nicanor do Posto Bendengó, ao Nelson de Areias-SP, Sr. Gonçalo, Alexandre e Paulo Sérgio da Fazenda Santa Carlota, ao Zé Lito, Zé Brás , Márcio e amigos da Fazenda Pau-casado na Bocaina, Sr. Chico Bento, Sr. Paulo Mendonça e Claudinéia da Pousada da Joaninha, ao Sr. Fagundes do bairro dos Macacos, ao Gilberto e família da Rocinha, ao Genésio e aos proprietários da Pousada Guimanna Sr. Guimarães e Dona Ana de Lagoinha-SP, o senhora que nos acudiu, quando aconteceu o acidente, ao inesquecível “Zizi” Donizeti do camping do Saci em São Luís do Paraitinga, aos prestativos e também inesquecíveis Djair, Suzi e Werner no Centro de Informações Turísticas de Paraibuna-SP, ao Júlio, Marcelo e Danilo da CESP-Paraibuna, ao pessoal da pensão Paris em São José dos Campos, a Dona Cristina de Aparecida-SP, ao Sr. Djalma de Guaratinguetá, ao Gaúcho de Queluz-SP, ao Drs. Waldir e Fernando do Posto de Atendimento ao Usuário da Dutra em Resende-RJ, a Marinez do Ovomaltine em Barra Mansa-RJ, ao “Coquinho” e família em Volta Redonda-RJ, a Tia Nair da pensão em Vassouras, ao pessoal do posto de combustível em Três Rios, ao pessoal do Posto Jamanta em Além Paraíba, A Aparecida e Juninho, ao casal Divino e Ângela do Campo de Semente-PESAGRO-RIO em Itaocara-RJ, a Eliane, Sr. Nelinho, Dona Maria e todos do Hotel São José em São Fidelis-RJ, às minhas irmãs Lília e Neuza Maria, sobrinhos e cunhada Sandra em Campos dos Goitacazes-RJ e ao Bebeto e todos de Atafona pela acolhida. Agradecemos ao José Souto e Angeline pelas mensagens e divulgação,ao Luigi pela participação em nossos projetos, a todas as pessoas que nos enviaram suas mensagens. Queremos deixar aqui também um agradecimento a duas pessoas que estiveram muito presente em nosso dia-a-dia durante a viagem: ao Bebeto meu irmão pela preocupação, incentivo e pela calorosa recepção em Atafona e a Sandra Valeriote de São José de Ubá que durante a viagem, nos enviou uma mensagem por dia, dedicando uma parte de seu dia para nós. Deixo que essas duas pessoas encerrem o diário do último dia de nossa cicloviagem. Do Bebeto, deixo o poema que ele me mandou e da Sandra, a mensagem do último dia. A Todos vocês nosso muito obrigado e até a próxima ...
LÁ VAI O MENINO!
De: Bebeto (Passarinho)
Para: André (Xoxô) .
Lá vai o menino!
Profícua parteira popular passa o pequerrucho para posse matriarcal.
Era o dia quatro de dezembro de mil e novecentos e tal... (65)
Lá vai o menino!
Perfeito peralta pueril pula pelo passeio e pelo pedregal.
Era a infância e tudo normal...
Lá vai o menino! Passa a percorrer pujante e perclitante período existencial. Era a puberdade e o drama psicossocial...
Lá vai o menino! Pulsa pelas pós-adolescentes que palpitam para possuí-lo e tal. Era a mocidade e ele era um referencial...
Lá vai o menino! Perpassa a plenitude e pede pela perene paternidade legal. Era a maturidade atingindo o seu ideal...
Lá vai o menino! Problemas e problemas, perpreta preceitos pecaminosos em geral. Era o nefasto a pertubar-lhe o intelectual... Pára pra pensar e pede paciencia e pede paz e pede proteção celestial. Era a fé rendendo o mal...
Lá vai o menino! Prepara projeto pró-musical para propiciar pleno prazer a povo presencial. É a auto-estima em alto astral...
Lá vai o menino! Progredindo pugna pela pura postura prestativa e protetoral. Era a conscientização fluindo afinal...
Lá vai o menino! Prepondera profundo propósito de perambular de pedal em pedal. E pedala o Paraíba do Sul do Paraitinga ao pontal...
Lá vai o menino! Ou será homem? Quem sabe o menino-homem? Ou homem-menino? Não importa. Pois de qualquer forma ou modo: Lá vai o menino! Sempre menino! Adulto maduro, com força de um menino. Cheio de idéias, sonhos e esperanças. Agora com a mochila nas costas,... ... ou melhor, na magrela! Vai,menino! Lá!
Adulto maduro, com forças de um menino.
Cheio de idéias, sonhos e esperanças.
Agora com a mochila nas costas,...
... ou melhor, na magrela!
Vai, menino! Lá!?
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
De: Sandra Valeriote
Para: André e Jorge
Amigos: André e Jorge
Hoje posso dizer a vocês o quanto é maravilhoso essa prova de que sonhos idealizados, projetados são realizados.
Vocês sonharam, idealizaram, projetaram e realizaram: eis que percorreram as margens de um lindo e importante rio brasileiro – Rio Paraíba do Sul.
Vocês passaram esses 21 dias também fazendo turismo por cidades. Da minha parte adorei conhecer através de vocês vários lugares pelos quais passaram. Mas algo esteve perceptível, para mim, com mais clareza do que antes, a vida existente onde não existe o DNA.
A natureza tem uma vida própria espetacular. Não tem como omitir.
A natureza pareceu, até então, demonstrar sua vida, sua força, seu poder sob nossa raça de modo bem sutil, diria ter sido uma demonstração até mesmo imperceptível. E talvez tal fato tenha sido proposital!
Pois é... Acho que a natureza por muito tempo camuflou seu poder para a raça humana cair em seus próprios erros: o egoísmo, a indiferença, a empáfia, o esquecimento de que a passagem por aqui vale por um breve período.
Com toda essa fúria que de tempos para cá ela vem demonstrando é simples nos identificar passageiros, sabedores que ela, a natureza, não é.
A natureza agora mostra, com clareza, que precisa ficar para os que se farão presente futuramente (não era preocupação tal fato no passado)...
É incrível tamanha facilidade que ela, a natureza, tem para castigar pela falta de respeito, sofrida.
Que muitos e muitos possam de alguma forma fazer a diferença, contribuir, como vocês, também, fizeram. Que assim seja!!... Ou melhor: é assim que deve ser.
Parabéns!!!
Fé, o que não pode faltar.
No mais, que aconteçam maravilhosos momentos, vivido na paz e bem.
Grande abraço fraterno dessa amiga, Sandra
|  |