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CICLOVIAGEM CONTORNANDO O PARQUE NACIONAL DO CAPARAÓ E SUBINDO O PICO DA BANDEIRA POR MINAS GERAIS.
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1º Dia- Manhã de domingo dia 10 de junho de 2007. Estávamos prontos para dar início a mais uma cicloviagem, desta vez iríamos contornar o Parque Nacional do Caparaó pelo Espírito Santo e subir o Pico da Bandeira entrando no parque pelo lado mineiro.Às 07:35 partimos numa manhã fria com muita disposição e logo nos primeiros quilômetros encontramos com o João Batista, um ciclista de Muriaé que voltava para casa depois de passar uns dias em Miracema.Ele nos acompanhou até a entrada para a estrada de terra que nos levaria até Itapeuna.Chegamos em Itaperuna por volta do meio dia e meia e após fazermos um lanche partimos para Pirapetinga de Bom Jesus, um distrito de Bom Jesus do Itabapoana que fica 25 quilômetros de distância por uma estrada de terra e tem uma serra quase na chegada.Por volta das 16:00 chegamos em Pirapetinga e após perguntarmos a algumas pessoas por um local para passar a noite, conhecemos o Beto Serodio administrador da Prefeitura que nos arranjou um abrigo com banheiro e tudo. Descarregamos nossos bicicletas, montamos acampamento, tomamos um bom banho frio e após o rango que preparamos, só nos restou dar uns telefonemas, uma voltinha pela praça e cair dormindo ouvindo a rádio MEC no nosso radinho de pilha.
2º Dia- Depois de tomar um café da manhã caprichado na casa do Beto(pessoa muito especial), partimos às 08:30 com destino a Guaçuí-ES.10 km a frente estávamos em Barra do Pirapetinga e ali pegamos uma pista de asfalto subindo as margens do Rio Itabapoana que nos levaria até Rosal, também distrito de Bom Jesus do Itabapoana.Antes de chegar em Rosal vimos a construção da casa de máquinas e do lago da nova Usina Hidroelétrica que está sendo construída no Itabapoana.Estávamos agora bem próximo da divisa de RJ/ES.Em Rosal nos abastecemos de água e partimos por estrada de terra em direção a barragem no Rio Itabapoana.Alí paramos, fizemos um lanche tiramos fotos da barragem e partimos por mais um trecho de estrada de terra até a rodovia que nos levaria a Guaçuí-ES.Chegando em Guaçuí, ao pedir informação a alguns ciclistas, notamos que um deles nos deu uma atenção especial e pedimos que nos levasse até uma oficina de bicicletas já que o pneu da bicicleta do Jorge estava com um pequeno furo e tínhamos que por ar de meia em meia hora.Chegando lá descobrimos que ele era um vereador muito querido e popular e acabou ajeitando um lugar para passarmos a noite e ainda nos levou para jantar e conhecer sua família.Ao “Serraia” nosso agradecimento e a certeza de pessoas legais pelo caminho.
3º Dia- Nessa manhã acordamos com vários amigos em nossa porta e cada um deles tentava nos convencer que caminho tomar para chegar a Ibitirama-ES.Depois de muitas conversas e consulta ao nosso mapa ficou decidido que passaríamos por Divino de São Lourenço, um trecho de estrada de terra nos encurtaria o caminho e assim fizemos.No caminho tomamos um gelado e revigorante de banho de cachoeira e chegamos em Divino de São Lourenço por volta de 0nze e meia da manhã e aproveitamos para almoçar.Confesso que não foi uma boa idéia comer um PF daquele tamanho e tivemos que empurrar nossas bicicletas por uns quarenta minutos antes de voltar a pedalar. Passamos por lindas cachoeiras antes de chegar em Ibitirama por volta de 4 e meia da tarde. Fomos informados que tinha uma cachoeira bem perto da cidade e que poderíamos passar a noite lá.Chegamos lá, montamos acampamento, tomamos outro banho naquela água gelada e limpa.Ainda fui a uma lan-house para enviar algumas coisas pela net mas desisti pois a conexão era muito lenta. Voltei para o acampamento, fizemos um rango e fomos dormir bem agasalhados pois estava bastante frio.
4º Dia- Acordamos bem cedo, desmontamos acampamento e fomos tomar café numa padaria bem perto dali.Mais uma vez mudamos nosso trajeto pois agora descobrimos uma estrada de terra que nos levaria até a BR 262, passando bem próximo aos limites do Parque Nacional do Caparaó.Pudemos acompanhar a cadeia de montanhas do parque por todo o percurso e vimos inúmeras cachoeiras. Notamos ainda por essa região grandes plantações de café, casas limpas e arrumadas por toda estrada e escolas em pleno funcionamento na zona rural, coisa que não vemos por aqui no noroeste do Rio de Janeiro. Tivemos o prazer de conhecer o Sr. João Batista e sua família que nos recebeu quando pedimos água e ainda nos deu café e carne de porco,salvando o nosso almoço.Também conhecemos o Luis Almeida, proprietário da fazenda que nos deu umas dicas de estrada e encheu nossas bolsas de laranja.Gente muito boa.Às duas da tarde estávamos na BR 262.Era só pedalar alguns minutos e estaríamos em Pequia-ES, mas um pneu furado nos atrasou e só chegamos lá por volta de 3 e meia. Lá trocamos a câmara por uma nova e resolvemos passar a noite na pensão da Dona Alzira e Sr. Waldir.Ótimo lugar e recomendo a todos.Bem próximo da pensão pudemos jantar e acessar a net numa lan-house bem legal.Fomos dormir lá pelas onze da noite e o Jorge estava se resfriando pois no início da pedalada de hoje ele teimou em ficar sem camisa quando ventava muito frio.Ele tomou um remédio e fomos dormir.
5º Dia- Por volta de 8 e meia estávamos na estrada e resolvemos, depois de umas informações passar pela rodovia pois estrada de terra estaria muito ruim. Aumentamos uns 50 quilômetros em nosso percurso original.Que volta enorme fomos dar!!Fomos até Manhumirim-MG de lá para Alto Jequitibá e finalmente Alto Caparaó.Chegamos exaustos por volta de 4 da tarde, achamos o camping do Sr.Natalino e sua família que também tem um restaurante e transporte para a tronqueira. Armamos nossa barraca, tomamos um banho quente, jantamos e fomos descansar o esqueleto.
6º e 7 ºDias- Alto Caparaó é uma cidade onde a avenida principal é uma subida e estávamos acampados no alto.Inventei de atualizar nosso site pela manhã já que iríamos subir para o camping da tronqueira ainda hoje.Desci aquela avenida toda e a lan-house estava fechada.Voltei para o camping, desarmamos a barraca, almoçamos e subimos de bicicleta até a portaria do parque.Esperamos por uma condução e nada.Resolvemos subir os 6 quilômetros até a tronqueira a pé.Um amigo levou nossa bagagem e partimos.Mais uma vez por volta das quatro da tarde estávamos montando nossa barraca no camping da tronqueira. Depois de andar pelos arredores do camping, fomos para o mirante assistir ao por do sol.Um lindo espetáculo, onde conhecemos algumas pessoas de um grupo de 60 que tinham vindo de Colatina-ES e que iriam subir até o Pico da Bandeira às dez da noite. Fomos convidados a subir junto com eles e resolvemos que mesmo cansados, valeria a pena aproveitar a oportunidade e subir a noite.Quase ficamos para trás pois quando demos conta o grupo já estava na trilha.Apertamos o passo e conseguimos pegá-los ainda no começo.O primeiro trecho até o Terreirão é uma trilha de 4,5 km.Às duas da manhã estávamos dentro do banheiro do Terreirão nos protegendo do frio e descansando para encarar outros 4,5 km até o topo do Pico.No terreirão muitos desistiram e resolveram ficar ali até de manhã. Nós seguimos em frente com o Jorge sempre cantando e animando a turma.Chegamos no alto por volta de cinco da manhã e o sol nem dava sinal.O frio era tanto que minhas mãos ficaram duras e eu estava ficando com medo pois minhas roupas que estavam por baixo estavam úmidas e o frio aumentava ainda mais. Fiquei sentado encostado no Jorge e em uma pedra, rezando para o sol aparecer logo.Um pequeno filete laranja começa a aparecer no horizonte e quanto mais esse filete aumenta mais bonito ficava aquele momento e eu me animava mais.Quando o sol despontou, todos já estavam de pé e com suas máquinas fotográficas nas mãos para registrar aquele maravilhoso momento.Quando ele se mostrou por completo é que fui cair na real e ver que realmente nós tínhamos conseguido chegar ao 3º ponto mais alto do Brasil.Olhávamos em volta e podíamos ver um mar de nuvens bem abaixo de nós.Era lindo o que víamos naquele instante.Todos ali se cumprimentando e aproveitando o espetáculo que nos era oferecido. Ficamos lá em cima por uns 40 minutos. Começamos então nossa descida até a tronqueira.Para descer todo santo ajuda e foi mesmo.Achei que sentiria o joelho pois foram 300 km de pedaladas com bagagem em cinco dias e mais 15 km de subida a pé até o alto e agora estava descendo mais 9 km até a tronqueira.Que nada!!Descemos bem e chegando lá desmontamos logo nossa barraca e pegamos uma condução até a portaria do parque onde pegamos nossas bicicletas. Partimos então para o camping do Sr.Natalino, armamos novamente nossa barraca, tomamos um super banho, almoçamos e fomos dormir. À noite, o Jorge ainda teve disposição para dançar um forró enquanto eu dei um telefonema para matar as saudades de casa e fiquei de molho na barraca.
8º Dia- Acordei e disse para o Jorge:Vamos dormir em casa essa noite.Ele me olhou meio assustado mas encarou o desafio.Eram 180 km para ser percorrido em um único dia com as bicicletas carregadas. Arrumamos nossas coisas, nos despedimos do pessoal e por volta das nove e meia da manhã estávamos na estrada.Como a volta é uma descida fomos adiantando máximo que podíamos, mas sempre existem subidas e tínhamos que encará-las com garra para chegar em casa ainda hoje. Por volta das cinco da tarde estávamos em Natividade-RJ e liguei para o Juninho meu irmão para que se preparasse pois se chegássemos na BR 356 à noite, eu pediria que ele nos pegasse com a caminhonete. Não deu outra:Faltando uns 45 km para chegar em casa o Juninho nos apanhava entre Raposo-RJ e o restaurante Cascudão. Chegamos em casa às oito e meia da noite.Estava concluída assim a nossa cicloviagem contornando o Parque Nacional do Caparaó e a subida ao Pico da Bandeira.
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